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Dor no Joelho

 

 

Didaticamente podemos dividí-la  quanto a sua origem em traumática ou por sobrecarga e quanto ao tempo de existência em aguda e crônica. As dores agudas, geralmente são de origem traumática sendo as crônicas devidas a processos inflamatórios.  
Conceitua-se um joelho saudável como aquele em que os componentes ósseos deslizam suavemente um sobre o outro através das suas superfícies cartilaginosas, enquanto ligamentos, tendões e músculos mantêm a articulação alinhada, forte e saudável.
O discurso de se ter uma vida saudável está na moda, entretanto as conseqüências das atividades para conseguí-la tem feito com que as pessoas lesionem-se com mais frequência. A distância entre o saudável e o patológico, em algumas circunstâncias, é muito pequena. O segredo está em uma orientação adequada, realizada por profissionais capacitados. Dessa forma você irá aumentar a vida útil do seu joelho.
Muitas pessoas negligenciam os cuidados com as suas articulações, principalmente seus joelhos. Queixas em relação aos joelhos são a causa mais comum em consultórios ortopédicos. Por serem articulações sustentadoras de carga, estes podem lesionar-se sem um episódio traumático evidente. Geralmente a procura por auxílio profissional dá-se pela presença de desconforto, dor, edema (inchaço) e impotência funcional.
Veremos adiante as principais causas de dor assim como algumas formas tratamento e prevenção.

LESÕES TRAUMÁTICAS

A dor de origem traumática (quedas, torções, lesões esportivas etc...) é nos dias atuais a principal causa de afastamento das atividades, seja para tratamento conservador (repouso, medicação e fisioterapia) ou cirúrgico. O número de lesões vem aumentando e seguirá essa tendência na medida em que os praticantes de atividade física iniciam de uma forma mais profissional muito precocemente suas vidas e terminam cada vez mais tardiamente. São comuns as competições com categorias abaixo de 10 e acima de 70 anos.
Os métodos diagnósticos, assim como as medidas terapêuticas evoluíram muito em um curto período de tempo. Quem não conhece ou nunca ouviu falar no passado de pessoas que necessitaram afastar-se das atividades esportivas precocemente?? Sem dúvida estas situações tem-se tornado cada vez mais raras. Lesões e tratamentos que há 2 décadas estavam reservados para pacientes abaixo de 40 anos devido as suas vidas intensamente ativas, hoje rotineiramente são instituídos em pacientes acima dos 60 anos.
Cerca de 4 milhões de pessoas necessitam de tratamento para as enfermidades do joelho por ano nos Estados Unidos e Canadá. No Brasil, não ha estatísticas confiáveis sobre este tema sendo que os desportistas despreparados são as vítimas mais freqüentes dessas lesões.
Diversas são as lesões traumáticas que podem acometer o joelho. Sua gravidade depende da intensidade do trauma e das estruturas lesionadas. O prognóstico dependerá da gravidade da lesão, da precocidade e precisão diagnósticas, e de como são tratadas. Destaca-se a importância, no que tange ao prognóstico, da atitude da vítima desde o primeiro momento após o trauma. Procurar um serviço médico especializado é a decisão mais acertada. É  fundamental, ainda, que as orientações do especialista sejam  praticadas para que se chegue ao melhor resultado terapêutico.
O joelho pode sofrer as seguintes lesões traumáticas: contusões, entorses, lesões meniscais, ligamentares, luxações, lesões da cartilagem e fraturas. As lesões neurológicas e vasculares ao nível do joelho são mais raras que as citadas.
As contusões são as lesões de menor gravidade e evoluem bem com tratamentos através de repouso, imobilização quando necessária, medicamentos para a dor e inflamação e fisioterapia.
As lesões meniscais são assuntos de maior complexidade pois acomentem geralmente pessoas em idade ativa. Os meniscos são considerados os amortecedores dos joelhos. Seu sintoma quando lesado é a dor. Essa afasta as pessoas de atividades em que haja a necessidade de agachamento, rotação, compressão axial (saltos). Seu sintoma é extremamente incapacitante e raramente evoluem para uma melhora clínica sem um tratamento adequado. Na maioria dos casos evoluem para tratamento cirúrgico através da artroscopia.
As lesões ligamentares, que comprometem a estabilidade do joelho, devem merecer atenção especial.  Se não tratadas adequadamente, deixam seqüelas importantes. Os ligamentos mais lesionados são o cruzado anterior (LCA) e o colateral medial (LCM) – a associação dessas lesões com a do menisco medial é comum.
As lesões do LCA decorrem de mudança de direção, arrancadas ou freadas rápidas durante as corridas, saltos, e uso de calçado inadequado; as do LCM, dos traumas na face lateral do joelho (esses tipos estão mais relacionadas a esportes como futebol, judô e karatê). O despreparo físico é fator importante de risco para a integridade dos joelhos. Os ligamentos colateral lateral (LCL) e cruzado posterior (LCP) são lesionados mais raramente, mas também recebem tratamento cirúrgico.O LCL é lesionado   por trauma na face medial e/ou por rotação forçada do joelho. O LCP decorre de trauma na região anterior da parte superior da perna e ainda por trauma indireto (que não incidem diretamente no joelho).
O joelho traumatizado pode ser tratado por métodos incruentos (sem cirurgia) ou cruentos (cirúrgicos). Os meios não cirúrgicos são os medicamentos, as imobilizações e a fisioterapia. A literatura americana oferece uma sigla que facilita o aprendizado dessa abordagem terapêutica no que se refere ao tratamento não operatório: P.R.I.C.E.
“P” de proteção (contensão com imobilizadores mais ou menos firmes, dependendo do tipo de lesão); “R” de repouso (absoluto ou relativo); “I” de ice (o gelo deve ser usado 4 a 5 vezes por dia durante 15 a 20 minutos); “C” de compressão (através de uma bandagem elástica ou joelheira, com cuidado para não provocar obstrução vascular) e “E” de elevação (manter o membro lesionado elevado para evitar ou reduzir o edema pós-traumático).
Não se devem subestimar as lesões traumáticas, muito menos aquelas que acometem o joelho. Procurar um ortopedista experiente é a atitude mais segura nesses casos. Lesões aparentemente simples podem trazer danos importantes para a articulação a médio e a longo prazos. Essas lesões com o tempo levam à atrofia muscular, que aumentam a instabilidade articular e, conseqüentemente, o risco de conseqüências degenerativas irreversíveis.
A prevenção dessas lesões deve ser feita através de preparo físico adequado (destaque-se a necessidade de uma musculatura da coxa ágil e coordenada), aquecimento prévio, obediência às normas de segurança do esporte, como uso de equipamentos de proteção e a escolha de locais seguros para essas práticas. 

LESÕES INFLAMATÓRIAS

Estas, em contraste com as lesões traumáticas, não são o resultado de um único episódio, mas sim de uma série de forças repetitivas que vencem a capacidade de reparação dos tecidos. Caracterizam-se pelo aparecimento de dor crônica, geralmente de longa evolução e com períodos de recorrência, em alguma estrutura do aparelho locomotor. Se a causa que produz não for evitada, geralmente a dor pode tornar-se permanente e incapacitar e desportista. Em geral, não existe um antecedente traumático agudo que explique a dor, embora possa acontecer que um traumatismo desencadeie os sintomas de uma lesão por sobrecarga que estava então subjacente. Cada esporte provoca uma sobrecarga específica do aparelho locomotor, em relação à sua biomecânica. Por isso, cada mobilidade esportiva favorece o aparecimento de lesões típicas por sobrecarga.

 Inflamação
 
A inflamação é um processo de calor, avermelhamento, inchaço e dor localizados que acompanha as lesões desportivas. A inflamação é um fenômeno biológica extraordinariamente complexo no qual participam muitos tipos de células, enzimas e outras substâncias fisiologicamente ativas. Nas lesões por sobrecarga, a soma de forças repetitivas conduz aos micro-traumatismos ou à destruição de um pequeno número de células. Os produtos residuais desta destruição são provavelmente os desencadeantes do processo inflamatório.
O primeiro passo da inflamação é uma pequena vaso-constrição para controlar o sangramento. A seguir, produz-se a saída dos capilares de células e fluidos com distintas funções: destruição, limpeza e reparação. A inflamação é um processo necessário na cicatrização das lesões. No entanto, se não se tratar, este processo pode auto perpetuar-se e dar lugar a inflamações crônicas.

Origem

As lesões por sobrecarga produzem-se por auto traumatismo, ou seja, o próprio aparelho locomotor – através de ações não necessariamente violentas de pressão, tração ou corte, repetidas em forma de micro traumatismos e com efeitos acumulativos – é capaz de desencadear e desenvolver alterações anatômicas e funcionais sobre si próprio. Existe uma relação evidente entre o mecanismo que produz a lesão e a biomecânica do gesto esportivo que a origina.

Fatores causadores

Os fatores que causam lesões por sobrecarga podem ser intrínsecos ou extrínsecos.

Fatores intrínsecos

  • São fatores associados à anatomia, à biomecânica e à fisiologia do esportista: Anomalias do aparelho locomotor, discrepância ou desalinhamentos anatômicos dos membros inferiores ou coluna.  
  •  Desequilíbrios músculo-tendinosos. Por causa da potenciação dos músculos principais implicados no movimento desportivo, em detrimento dos antagonistas, que serão menos solicitados.

Fatores extrínsecos

  •  Erros de treino. Constituem a causa mais frequente de lesões de sobrecarga. Devem-se a uma alteração da relação trabalho/recuperação por aumento brusco da intensidade, diminuição temporal da aptidão física, recuperação incompleta das cargas ou técnica desportiva deficiente com uma execução incorreta dos movimentos.
  • Material e instalações desportivas inadequados. Material que não amortece nem protege suficientemente (calçado, joelheiras); um terreno desportivo com superfícies duras que amortecem, aumentando a intensidade dos micro-traumatismos que o sistema osteo-muscular deve suportar; as mudanças bruscas de material desportivo ou de terreno de jogo.
  • Fatores do meio ambiente. Ambientes frios ou então excessivamente quentes ou úmidos.
  • Reabilitação inadequada. Devido a uma recuperação não específica ou a um regresso precoce ao treino ou competição.

É evidente que, quando se reúnem fatores intrínsecos, o potencial da lesão aumenta extraordinariamente.

Tecidos afetados por sobrecarga

Músculos. A lesão muscular por sobrecarga é o resultado de uma inflamação tardia do músculo. Ocorre depois de 12-48 horas de exercício e manifesta-se por dar com o movimento, inchaço e hipersensibilidade no grupo muscular afetado. Pode persistir durante 4-12 dias. Em caso de inflamação crônica do músculo, pode produzir-se um extravasamento de líquidos, o que provoca um aumento excessivo da pressão dentro do compartimento muscular.
Tendões. A reação inflamatória dos tendões origina uma tendinite. Os tendões podem lesar-se por cargas repetidas ou por irritação mecânica persistente. Esta fadiga é mais comum na zona de união do tendão com o osso, já que é uma zona muito pouco vascularizada.

Prevenção da lesão por sobrecarga

  • Aquecimento. Geral e específico do desporto. É preciso também haver um regresso à calma progressiva quando termina a atividade física.
  • Reforço muscular específico. Dos grupos musculares que intervêm na atividade física, tanto os agonistas como os antagonistas. Por outro lado, devem trabalhar-se nos ângulos adequados, conforme o desporto.
  • Reforço do volume de treino. O cansaço manifesta-se em função do volume de trabalho, e a recuperação, em relação com o trabalho prévio. Esta recuperação deve ser individualizada e aproveitar os meios naturais de recuperação.
  • Reabilitação precoce e específica. Tratamento das lesões por sobrecarga, que se inicia com o diagnóstico, baseando-se na história clínica e na exploração física. É preciso prestar atenção aos fatores intrínsecos e extrínsecos, e realizar as provas complementares que forem pertinentes em cada caso: radiografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética.  


Tratamento

Os objetivos do tratamento são reduzir a dor e a inflamação, promover a cicatrização e reabilitar o membro lesionado para prevenir o reaparecimento da lesão. Para isso é necessário repouso ou conforme o desporto e o tipo de lesão produzida, medicação anti-inflamatórios, fisioterapia, reabilitação, corrigindo os problemas de alongamento, flexibilidade. Por vezes é necessária cirurgia para corrigir a biomecânica ou a anatomia.

Eis os seis mandamentos para preservar os joelhos:
• praticar esportes regularmente
• fazer alongamentos antes e depois da atividade física
• usar tênis adequados por tempo adequado
• treinar em superfícies apropriadas a cada modalidade
• não ultrapassar os limites do corpo
• se sentir dores, procurar o médico

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